28/08/2019

Mulheres se preparam cada vez mais para ocupar cargos de liderança

Empresas que possuem um maior número de mulheres em postos de liderança, registram potencial aumento em faturamento 70% superior as outras

As mulheres já são a maioria em cursos de graduação, com representatividade de 57,2%, de acordo com o censo realizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em 2016. O ranking anual de MBA’s do Financial Times, divulgado no ano passado, também mostra que as mulheres representam 42% do número de alunos nas dez principais escolas de negócios dos Estados Unidos.

Além disso, uma pesquisa da McKinsey publicada em 2018 aponta que empresas onde a diversidade de gênero está verdadeiramente presente, apresentam um desempenho melhor. Ainda segundo o estudo, empresas que possuem um maior número de mulheres em postos de liderança, registram um resultado quase 50% maior e um potencial de aumento no faturamento 70% superior que outras.

Tudo isso aponta para um dado importante: as mulheres estão, cada vez mais, se preparando para ocupar cargos de liderança no mercado de trabalho.

“O mundo mudou, as mulheres conquistaram seu espaço, hoje as pessoas têm consciência do seu direito à liberdade, inclusive sobre o corpo e a sexualidade. Será que tomaram ciência do alcance disso? Liberdade requer responsabilidade e comprometimento. E talvez a questão agora passe por um viés mais sutil, e mais profundo também. Fala-se em liberdade, em empoderamento e liderança, mas será que sabem realmente a abrangência disso? De qual liberdade e de qual poder estamos falando?”, alerta a filósofa, mestra e doutora em Filosofia da Educação, Mani Alvarez, diretora acadêmica do Clasi (Centro Latino Americano Ser Integral).

De acordo com Luis Giolo, head dos escritórios no Brasil da Egon Zehnder, multinacional suíça de busca e desenvolvimento de líderes, ainda que já haja uma maturidade por parte das empresas no entendimento de que de fato a mulher deve ser considerada em pé de igualdade a um candidato do sexo masculino, a sociedade não caminha no mesmo ritmo. Maternidade, divisão de tarefas domésticas, equilíbrio entre delicadeza e assertividade são apenas alguns dos itens que geram um conflito interno quando as mulheres avaliam como devem se portar em postos de liderança nesse ambiente predominantemente masculino.

“Vamos dar uma olhada no entorno. O que temos visto? Muitas mulheres em plena ascensão de carreira profissional, mulheres em cargos de chefia, mulheres independentes, conquistando seu espaço no mundo. Mas… em sua grande maioria, repetindo o mesmo padrão masculino que tanto criticamos, de autoritarismo, insensibilidade e competitividade. O que há de novo nisso?”, acrescenta Mani.

Outra pesquisa conduzida por Wei Zheng, Olca Surgevil e Ronit Karkpes, pesquisadoras e professoras dos Estados Unidos, Israel e Canadá, respectivamente, com 64 americanas em cargos de destaque – níveis de vice-presidência ou CEO de 51 organizações diferentes -, esmiuçou esses paradoxos. Ela classificou os dilemas em quatro posturas exigidas das gestoras, mas que são potencialmente contraditórias: cobrança por alto desempenho e ao mesmo tempo que deve ser cuidadosa com a equipe; autoritária, mas participativa; atingir os próprios objetivos, bem como os do time; manter a distância e ainda ser acessível. Esse estudo revela que mesmo em países mais avançados a situação não é diferente do Brasil.

“Na falta de modelos e referenciais para as mulheres – a mídia nos impinge um modelo machista: seja linda, vista-se assim ou assado, seja autoritária, seja sedutora, forte, fria, conquiste o homem que quiser – enfim, mais do mesmo! Vende-se um modelo masculino de liderança dita “feminina”! Na busca por um referencial que traga luz sobre a essência da natureza feminina, seus valores, características e habilidades, encontramos no inconsciente coletivo da humanidade, antigas memórias guardadas em arquétipos e mitos. São histórias e lendas que sobreviveram ao extermínio efetuado pelo patriarcado na cultura de todos os povos”, reforça a diretora do Clasi.

Mônica acredita que hoje resgatamos o poder desses arquétipos que resistem dentro de todos nós, para dar nova vida e recompor a verdadeira essência feminina. “Baseadas nos verdadeiros atributos femininos podemos, enfim, chegar à uma nova liderança, essencialmente feminina e tão necessária em nosso mundo atual! Isso significa dar voz a tudo que foi silenciado por milhares de anos e reconstruir a memória perdida do feminino. O mundo mudou. As pessoas mudaram. A liderança precisa mudar!”, defende.

A terapeuta menciona que os maiores líderes e pensadores nacionais e internacionais definem a liderança como a habilidade de influenciar pessoas para o bem comum. E para tanto, enfatizam a necessidade do desenvolvimento pessoal, com foco em valores humanos e o desenvolvimento de habilidades emocionais como a empatia, sensibilidade, autoconsciência, autocontrole e acolhimento. “Como podem notar, são habilidades ditas femininas, ying, mais comuns no universo feminino. Habilidades que todos nós, mulheres ou homens, precisamos urgentemente desenvolver”, observa Mani, que organiza nos dias 5 e 6 de outubro, o Retiro Transpessoal Liderança Feminina.


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